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CARACTERIZAÇÃO GEOAMBIENTAL DO SÍTIO LAGOA
12 Jun 2013, 12:16

Há necessidade de lançar mão das informações obtidas a partir da caracterização da serra de Baturité, para se chegar uma melhor compreensão da caracterização geoambiental do SÍTIO LAGOA.

A Serra de Baturité

O maciço das serras de Baturité apresenta uma morfologia fortemente acidentada. Sob o aspecto geológico, a maior parte é formada por embasamento cristalino e, apenas em algumas áreas é representada por pequenas depressões alveolares e planícies fluviais encontram-se depósitos aluviais, a partir de deposições colúvio-aluviais. Os níveis altimétricos alcançam, em média, cotas entre 600 – 800 m, podendo, em algumas cristas, alcançar cotas acima de 900 m. O ponto mais alto deste relevo é o Pico Alto (Guaramiranga), com 1.115 m (http://sitiolagoa-guar.ucoz.com.br/Figura_03_2003.doc). A serra de Baturité está subdividida nas seguintes feições geomorfológicas: platô úmido, vertente oriental (Barlavento), vertente meridional, vertente ocidental (sotavento), e vertente setentrional. A ação combinada da altitude e da exposição do relevo face aos deslocamentos das massas de ar úmidas oriundas do oceano faz com que a região possua um dos mais elevados índices pluviométrico do Estado do Ceará, com médias anuais acima de 1.500 mm.  A altitude serrana exerce forte influência na temperatura, tendo os municípios situados no platô (Guaramiranga, Pacoti, Mulungu e Aracoiaba), temperaturas médias mensais variando de 19,7ºC a 21,2ºC, com uma amplitude máxima de 2ºC.

vegetação do maciço de Baturité apresenta um dos mais expressivos encraves de mata úmida do Estado do Ceará. Foram constatadas três grandes unidades de coberturas vegetais no maciço de Baturité: a vegetação de caatinga (caducifólia)a mata seca (sub-caducifólia) e a mata úmida (perenifólia). Dentre as espécies de maior representatividade, dentro das unidades de cobertura, tem-se: aroeira, pau branco, louro, macambira, imburana, mandacaru, catingueira e angico, em contato com a mata seca nas depressões sertanejas.  Já na s elevadas altitudes da vertente ocidental (sotavento), a mata seca é representada por espécies que não costumam ocorrer na área das caatingas. Trata-se de uma vegetação natural caracterizada pela composição florística representada pela barriguda, pau d’arco amarelo, angico, Gonçalo-Alves, mulungu e pau ferro. A partir da cota altimétrica de 600m na vertente oriental e platô, pode-se observar a presença de mata úmida, com um estrato arbóreo, chegando atingir até 20m, podendo presenciar também espécies arbustivas, ambas associadas a uma grande ambudância de liquens, epífitas e lianas. A partir da cota de 600 – 800m de altitude predomina uma vegetação florestal higrófila, perenifólia ou subperenifólia, incluída no tipo pluvial de altitude. Nas partes mais altas, entre 800 – 1000m, devido ao favorecimento durante a maior parte do ano pela condensação do vapor dágua encontram-se nuvens baixas ou nevoeiros que precipitam frequentemente em chuvas finas. Dentre as espécies de maior representatividade tem-se o pau darco amarelo, pau ferro, coração de negro, frei Jorge e café bravo. Na faixa de altitude entre os 600 e 1000m, devido às condições de maior umidade e temperaturas mais baixas, são plantados os pés de café, sob a vegetação florestal (café de sombra), da espécie "cofea arabica”, que entre o final do século XVIII e início do século XIX tornou-se um produto de exportação do Estado do Ceará, tornando-se conhecido na Europa o café Baturité, comparáveis aos melhores cafés da época.

Quanto a fauna, no maciço de Baturité podemos citar aqueles de maior importância de grupos que melhor representam a fauna terrestre, com relação a impactos ambientais, que são os mamíferos, anfíbios, répteis e aves, ficando de fora, insetos, crustáceos, moluscos, peixes e etc. Dentre àqueles animais, estão os lagartos (das famílias Teiidae, Iguanidae, Scincidae e Gekkonidae), serpentes (das famílias Columbridae e Viperidae), e anfíbios ápodos e anuros, que são grupos mais representados no domínio das Florestas Amazônica e Atlântica. Com relação à avifauna, um aspecto bastante relevante é o fato de se encontrar espécies representantes da floresta Amazônicas e Atlânticas. "Fato mais notável ainda é que, devido ao isolamento reprodutivo causado pelo desligamento da serra com as citadas florestas, algumas populações já começaram a adquirir características próprias, sofrendo amplo processo de especiação” (CEARÁ, 1992). As aves são o representante da fauna dos vertebrados de maior diversidade no maciço de Baturité, o que é comum nas florestas tropicais. Pode-se destacar a existência de mais de 180 espécies de aves residentes e transientes, de onde cerca de 10% delas são endêmicas. Esses animais exercem um papel muito importante no controle de insetos, na polinização e na dispersão de algumas espécies vegetais e até mesmo com fonte de proteínas de algumas pessoas na região. Dentre os mamíferos, são indentificados categorias em nível de família, gênero e espécies, pertencentes às seguintes ordens: Primates, Edntata, Ridentia, Carnívora, Arrtiodactyia e Marsupialia, tamanduá-mirim, tatu-de-nove-cintas e raposa comedora -de-carangueijo e o gato-do-mato.  Dentre as espécies mais ameaçadas, tem o coandu, gato-maracajá-peludo, veado-capoeiro, e caso ainda exista, a paca.

A ÁREA DO SÍTIO LAGOA.

O SÍTIO LAGOA se encontra inserido em dois geofácies bastante distintos: o Platô e a vertente Ocidental, como pode ser observados no link ( http://sitiolagoa-guar.ucoz.com.br/Fig_6_em_2003.doc).

platô úmido se caracteriza por apresentar elevados índices pluviométricos. Essa unidade geoambiental possui uma área de 135,9ha e isso representa cerca de 40% da área total do terreno. As características ambientais da área do platô refletem as melhores condições de umidade de onde se pode destacar desde a existência de recursos hídricos semi-perenizados, até a presença de uma vegetação sub-perenifólia. Os links (http://sitiolagoa-guar.ucoz.com.br/Fig_07_em_2003.doc) e  (http://sitiolagoa-guar.ucoz.com.br/Fig_08_em_2003.doc ) dão uma noção geral da área do Sítio Lagoa inserida no platô úmido. O platô úmido é a unidade de maior diversidade de culturas, tanto permanentes como temporárias, se dividindo em duas partes: as encostas, compostas de argissolos vermelho-amarelo, com elevadas declividades; e as "baixas”, com neossolos flúivicos e com fracas declividades (http://sitiolagoa-guar.ucoz.com.br/Fig_09_em_2003.doc). As principais culturas desenvolvidas nessa unidade são: a bananicultura, o café, a cana-de-açucar, chuchu e hortaliças, onde as duas primeiras são cultivadas tanto nas encostas como nas "baixas” e a cana-de-açucar, o chuchu e as hortaliças são cultivadas apenas nas "baixas”.

A cultura do café é conhecida pelo fato de ele ser plantado consorciado com outras espécies frutíferas na sombra das arvores, onde dentre elas destaca-se a ingazeira. Essa característica, juntamente com o fato de não se utilizar agrotóxicos, fazem com que o café local, assim como grande parte do café produzido no restante do maciço de Baturité, tenha sido apelidado pelo nome de café ecológico, uma vez que os danos ambientais são consideravelmente minimizados.

Além das culturas já mencionadas, ocorrem também no platô culturas de fruteiras diversas como o abacate, jaca, manga, citros e goiabas dispersos pelo sítio.

A parte mais representativa do acervo cultural de Guaramiranga encontra-se no platô, onde se destaca antigas fazendas de café, engenhos, e antigas igrejas. Essas localidades possuem um elevado potencial turístico, pois, além de apresentarem belezas cênicas, possuem cervos históricos e culturais de incomensurável valor. Nessa perspectiva, pode-se destacar a presença da sede do SÍTIO LAGOA (  http://sitiolagoa-guar.ucoz.com.br/Fig_10_em_2003.doc) como um excelente representante desse rico acervo cultural e histórico de Guaramiranga. Nos grandes armazéns da sede encontram-se o engenho, a máquina de beneficiar café e o forno de farinha, atividades que estão a desaparecer na região.

Nas áreas úmidas de Guaramiranga pode-se observar uma elevada produtividade biológica, principalmente vegetal, impulsionada pela grande quantidade de recursos. Desta forma, "a erosão pluvial é impedida, ou pelo menos, muito retardada por uma cobertura vegetal densa e por uma camada de detritos vegetais, principalmente folhas mortas. A permanência desses detritos vegetais depende da produtividade da vegetação e da velocidade de destruição pelos agentes redutores (microorganismos, cupins, outros insetos, vermes etc)”.

vertente ocidental  tem uma área de 238,02ha, o que representa cerca de 60,00% do terreno total. Nesse setor, as áreas de altitudes variam de 900 a 1000m, no limite do platô úmido, até 460m, já nas proximidades do município de Caridade. Na vertente de sotavento ou ocidental, pode-se constatar que a influência exercida pelo aumento de temperatura faz com que os rios possuam um limitado poder de entalhe, o que diminui a amplitude altimétrica entre os interflúvios encontrados nas depressões sertanejas, caracterizados pela intermitência sazonal. A vegetação encontrada na vertente ocidental, representada pela mata seca ou floresta sub-caducifólia tropical, não exerce tanta proteção para os solos contra os efeitos erosiva quanto se pode observar no caso da mata úmida encontrada no platô. Composta por solos diversificados predominantemente de alta fertilidade natural (argissolos vermelho-amarelo, eutóicos e neossolos litólicos), que se encontram dispersos por área de declividades muito acentuadas, se prestando para as culturas de milho e feijão com utilização de técnicas adequada de cultivos.

Dentre as principais potencialidades que esse setor apresenta, destaca-se sem a menor sombra de dúvidas, as potencialidades paisagísticas em função de sua beleza cênica, como pode ser observado no link (http://sitiolagoa-guar.ucoz.com.br/Fig_11_em_2003.doc). É nesse setor que se localiza o Pico Alto, com a altitude de 1.115m, de onde se pode descortinar toda a vista para as planíces dos sertões de Canindé, Caridade e Pentecoste, cenário de rara beleza que se tornou um dos pontos turísticos mais visitado da região. O Pico Alto é ponto limítrofe do SÍTIO LAGOA.

As áreas de Áreas de Preservação Permanente (APP) e as Áreas de Reservas Legais (ARL), estão respaldados em critérios técnicos e, sobretudo, legais tendo em vista a necessidade de se associar as formas de uso e ocupação do solo com respeito à legislação ambiental. As APP do SÍTIO LAGOA tem uma extensão de 133.5ha (35% do total do terreno) - links (http://sitiolagoa-guar.ucoz.com.br/Fig_12_2003.doc) e (http://sitiolagoa-guar.ucoz.com.br/Fig_13_2003.doc ) e as ARL tem uma extensão de 79,3 (20,9% do terreno) - links  (http://sitiolagoa-guar.ucoz.com.br/Fig_17_2003.doc)  e    (http://sitiolagoa-guar.ucoz.com.br/Fig_18_2003.doc )

Em virtude da singularidade do maciço de Baturité, que apresenta em seus pontos mais elevados uma complexa cobertura vegetal constituindo-se um ecossistema de exceção no contexto semi-árido cearense, foi criada pelo Governo do Estado do Ceará, através do Decreto N 20.956, de 18 de setembro de 1990, uma Área de Proteção Ambiental com o intuito de garantir a sustentabilidade local. Trata-se, portanto, de uma Unidade de Conservação Local de Uso Sustentável de acordo com a Lei Nº 9.985 de 2000, que estabeleceu o Sistema Nacional de Unidade de Conservação. No que tange à situação do SÍTIO LAGOA em relação à APA da Serra de Baturité, pode-se afirmar que 81,5% de sua área encontra-se inserida nessa área. 

Categoria: Meus arquivos | Adicionado por : Eugenio
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